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Ferramenta monitora volume de água de reservatórios do semiárido brasileiro

Plataforma digital Olho N’Água acompanha os níveis de 452 reservatórios localizados em nove estados do País

SÃO PAULO – Os 24 milhões de moradores do semiárido do Brasil vão poder acompanhar em tempo real como anda o fornecimento de água na região. Lançada nos últimos dias de 2016, a plataforma digital Olho N’Água faz o monitoramento e a comparação histórica do volume de água dos reservatórios localizados no semiárido brasileiro.

A ferramenta, desenvolvida pelo Instituto Nacional do Semiárido (Insa) e a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), acompanha 452 reservatórios de água distribuídos na porção semiárida dos nove Estados (Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) que compõem a região, totalizando uma capacidade máxima de armazenamento de 40.256 hm³. Atualmente, do total, mais de 64% dos reservatórios estão com armazenamento abaixo de 10%.

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Segundo o diretor do Insa, Salomão Medeiros, o objetivo é aproximar o cidadão de sua realidade por meio das informações. “A gente fica mais empoderado quando sabe de fato a situação e o histórico do reservatório que abastece a cidade onde mora, porque consegue pensar suas condições hídricas, se elas se repetem e para onde estamos indo, a partir de dados, não apenas com histórias que nos contam”, diz. “Isso contribui para o controle social, para que a população discuta com o gestor responsável acerca do manejo da água, do planejamento e da preocupação com a provisão. A proposta da ferramenta é envolver a sociedade nesse debate”.

Medeiros avalia que a situação, no geral, é bastante crítica. “Estou em Campina Grande (PB) e esta é a pior crise hídrica dos últimos 20 anos. A gente convive com racionamento d’água, assim como em Pernambuco. Então, a disponibilidade está bastante baixa e essa é uma das razões pelas quais o sistema é necessário, urgente”.

A plataforma traz recortes estaduais e dados específicos de cada reservatório, como capacidade de armazenamento, volume atual, tendência dos últimos seis meses e histórico de anos anteriores.

Medeiros cita o caso do açude Boqueirão, que abastece Campina Grande, cidade que está enfrentando falta d’água. “Muito se discute como se fosse uma situação anormal, mas, quando a gente olha o histórico do reservatório, vê que, há uma década, o mesmo problema aconteceu”, destaca. “É possível ver, pelo sistema, como os ciclos de seca extrema acontecem a cada 10 ou 15 anos”.

A plataforma Olho N’Água integra o Sistema de Gestão da Informação e do Conhecimento do Semiárido Brasileiro (Sigsab), que reúne e disponibiliza dados econômicos, sociais, ambientais e da infraestrutura da região. O sistema se baseia no monitoramento hídrico mensal da Agência Nacional de Águas (ANA), Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Rio Grande do Norte (Semarh-RN).

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